Emoções são multifatoriais

 Revisitando o livro “Esboço para uma teoria das emoções", surgiu a vontade de compartilhar com vocês uma importante reflexão feita por Sartre na obra. Crítica à psicologia tradicional, Sartre afirma que as emoções são fenômenos e não fatos. O que ele quer dizer com isso?

Primeiro, precisamos entender que Sartre escreveu esta obra em 1939. Na época, a psicologia era uma ciência relativamente nova* e vivia ainda sob forte influência do positivismo e, por isso, os psicólogos e neurologistas buscavam compreender as emoções a partir da estrutura cerebral. Assim, toda e qualquer emoção só poderia ser mensurada a partir da área do cérebro afetada e dos hormônios produzidos. 

O filósofo francês chama a atenção para dois pontos: primeiro é que a alegria e melancolia poderiam afetar o mesmo lugar do cérebro e isso não faria com que a alegria fosse uma melancolia em proporções diferentes. E em segundo lugar, e o mais importante, ele vai mostrar como, na verdade, as emoções são fenômenos e, por isso, não podem ser compreendidas como fatos. 


Ou seja, não importa qual área ou parte do cérebro foi afetada, as emoções surgem de um contexto multifatorial. Não é uma única coisa que vai te deixar chateado ou feliz, é a soma de diversas coisas do seu dia a dia. Outra coisa que é importante levar em consideração é que você pode se sentir feliz porque vai viajar no fim de semana e desanimado porque amanhã tem muito trabalho para fazer e os dois sentimentos coexistem juntos, ao mesmo tempo.


O ambiente à nossa volta, as situações cotidianas, tudo isso nos impele a agir dessa ou daquela forma. Não existe sentimento de chega de repente e vai embora com passe de mágica. Por isso, a terapia psicanalítica pode te ajudar a compreender melhor todos seus sentimentos e emoções. 



*Até o século XIX, a psicologia era uma parte da filosofia e, por isso, não tem como estudar psicologia sem estudar filosofia. 


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