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Emoções são multifatoriais

  Revisitando o livro “Esboço para uma teoria das emoções", surgiu a vontade de compartilhar com vocês uma importante reflexão feita por Sartre na obra. Crítica à psicologia tradicional, Sartre afirma que as emoções são fenômenos e não fatos. O que ele quer dizer com isso? Primeiro, precisamos entender que Sartre escreveu esta obra em 1939. Na época, a psicologia era uma ciência relativamente nova* e vivia ainda sob forte influência do positivismo e, por isso, os psicólogos e neurologistas buscavam compreender as emoções a partir da estrutura cerebral. Assim, toda e qualquer emoção só poderia ser mensurada a partir da área do cérebro afetada e dos hormônios produzidos.  O filósofo francês chama a atenção para dois pontos: primeiro é que a alegria e melancolia poderiam afetar o mesmo lugar do cérebro e isso não faria com que a alegria fosse uma melancolia em proporções diferentes. E em segundo lugar, e o mais importante, ele vai mostrar como, na verdade, as emoções são fenômeno...

A subversão da psicanálise.

            A psicanálise é quase uma afronta para nosso cotidiano. Enquanto temos cada vez mais coaches ou charlatões prometendo uma cura rápida e eficaz, a psicanálise se propõe a não ser rápida e menos ainda promete curar qualquer coisa.  Psicanálise é para aquela pessoa que quer um tempo para si, pensar sobre si mesmo. É um momento só seu. O analista a sua frente possui uma lanterna na mão, pois inicia contigo uma caminhada rumo ao seu inconsciente.  Mas não se engane, não é o analista quem guia o caminho. Você é dono de sua história e decide como será a caminhada: rápida, lenta, indo para trás, andando em círculos. A lanterna na mão do analista só vai apontar para aquela pedra que está no seu caminho, mas é você quem decidirá no que essa pedra se transformará.  Assim, diante de um mundo com tanta pressa, com tanta fluidez, com tantos “tantos” do nosso cotidiano, é a psicanálise que não te promete nada, mas pode te entregar aquilo qu...

A neurociência mora na Psicanálise.

             Há alguns dias vi um vídeo do psicanalista Christian Dunker sobre Neuropsicanálise, no qual ele afirmava que "o que vem se achando em neurociência não contradiz o que esse método prático (a psicanálise) presume e executa”. Isso me chamou a atenção e ficou martelando na minha cabeça. Em 2021, tive a oportunidade de fazer um curso online, pela USP, sobre neurociência e aprendizagens, por isso, algumas coisas eram um tanto evidentes, como, por exemplo, a preocupação de Freud com fatos ocorridos na infância e como isso o impactam na vida adulta, bem como o fato da neurociência defender uma educação positiva para evitar traumas no ser humano em formação. Porém, no final de 2022, descobri que há ainda mais por trás dessa reação entre psicanálise e neurociência a partir da leitura do livro O cérebro da criança, de Daniel J. Siegel e Tina Payne Bryson.  O livro traz, entre outras coisas, estratégias para ajudarmos as crianças a lidarem com ...